Há algum tempo declarei que faria uma torta para levar a um evento de amigos. Normalmente, por conta de uma agenda bem atarefada, eu não tenho tempo para me aventurar na cozinha, então simplesmente compro algum quitute para contribuir nesses momentos. Foi então que ouvi de uma amiga dizer: - Nossa, nunca cozinhou nada e vai querer fazer uma torta logo de cara? Confesso que isso me deixou triste! Não pelo fato de alguém brincar comigo porque não sei cozinhar, até porque eu sei, inclusive, como engenheira química eu poderia projetar uma fábrica de tortas, ou melhor, eu poderia projetar um reator que produzisse uma torta do tamanho de um prédio de dois andares! A questão não é conseguir seguir uma receita culinária. O ponto é: como as mulheres são tão cobradas pela nossa sociedade. Você pode ter diversas graduações, ser poliglota, tocar diversos instrumentos musicais, cozinhar, lavar, passar, limpar a casa, costurar, bordar, fazer origami, arte em biscuit, pintar quadros, panos de pratos e qualquer tipo de artesanato. Você pode ser bailarina, cuidar do seu corpo, cuidar da sua família e amigos, ser muito bem sucedida na sua carreira, participar das atividades da igreja, praticar diversos esportes e fazer tudo que uma mulher precisa para se embelezar (cabelo, unha, sobrancelha, depilação e etc). Não importa: a sociedade arranjará algo para te cobrar. As leitoras sabem bem do que estou falando. Precisamos ser lindas, ricas, inteligentes, bem sucedidas, ter namorados ou maridos invejáveis, filhos incríveis, ou seja, precisamos ser perfeitas! O problema é que isso tem feito com que as mulheres se cobrem de mais e chegam à idade adulta ou frustradas ou completamente estressadas, porque simplesmente não dá pra ter e ser tudo. Na verdade os sintomas dessas cobranças aparecem cada vez mais cedo: conheci uma garota de quinze anos, lindíssima, uma das melhores alunas de sua escola, já fala três idiomas e que sofre de crises de gastrites durante os períodos de provas escolares. A marca inglesa Sanctuary Spa fez uma pesquisa com mulheres maduras, entre 55 e 82 anos, e quase a metade delas disse que se sentia moderada ou extremamente extressada e compartilharam que se pudessem voltar no tempo, dariam mais tempo a si mesmas para cuidar e curtir o que realmente é importante.
Continua...
Experiências, aventuras, histórias e opiniões do ponto de vista de quatro mulheres totalmente distintas, idades, contextos de vida e culturas diferentes, mas que no final das contas compartilham do mesmo universo feminino! Junte-se a nós e bah!
quarta-feira, 2 de dezembro de 2015
A arte de ter cachos
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| http://www.poisonmakeup.com |
Como diz a letra de Gal Costa, "cabelo pode ser
cortado, cumprido, trançado, tingido, aparado ou escovado, descolorido,
descabelado, cabelo pode ser bonito". Cabelos trazem personalidade, e
atribuem a características únicas às pessoas. Cada fio nos acompanha por anos,
e contam histórias da nossa vida, passam por mudanças que indicam algum
acontecimento interno. Quantas vezes não fizemos um penteado diferente ou um
corte radical para integrar uma nova fase? Através dos cabelos é possível
identificar costumes, grupos e classes sociais. Os cabelos são conhecidos
historicamente como a força do homem, um exemplo foi Sansão, e representa a
sensualidade da mulher, como a deusa grega Afrodite que com seus longos cabelos
escondia sua nudez.
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| http://www.nobrasil.com |
Os cabelos têm diversas estruturas, mas quero
dar ênfase aos cabelos crespos. Não sou cabelereira, porém adoro essas
madeixas. Os cachos passaram por grandes processos ao longo dos anos, havia
épocas que os cabelos cacheados quanto maiores e mais volumosos, eram melhores.
Em outras é possível encontra-los presos em coques ou escondidos em lenços e
toucas. Houve a época dos curtos e com cachos marcantes por volta de 1910, e muitas
vezes passaram por alisamentos. Hoje o cabelo crespo ganhou força novamente e
está com tudo.
Os cachos representam a naturalidade e liberdade. No
blog “Meu Crespo” há histórias e depoimentos de mulheres que estão satisfeitas
com os cachos, aprenderam a cuidar com carinho de seus caracóis e amam seus
cabelos. Muitas mulheres com quem conversei, ou já li sobre o assunto,
confessam que acham os cabelos crespos lindos, porém pelo cuidado que ele
exige, (se tratando de um fio mais seco e precisar de constante hidratação),
optam pela praticidade, recorrendo aos alisamentos, escovas, etc.
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Optar pelos cachos não é uma tarefa fácil para as
iniciantes, os danados dão trabalho, exigem muita hidratação, carinho, e
principalmente aceitação. Os cabelos afloram a autoestima e quanto mais
gostamos deles nos sentiremos bonitas (o), e todo o trabalho valera a pena.
Para as mais entendidas do assunto, cuidar das madeixas não é tão difícil assim,
e nem exige produtos caros, quando se pega pratica, os cachos responderam
positivamente.
Cabelos
crespos já sofreram muito preconceito, e hoje é um sucesso. Não importa se seus
cachos são compridos, black power, coloridos, volumosos ou sem volume. A beleza
esta no gostar dos fios como eles são e se sentindo bem.
Um beijo e Bah
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Evellyn Rocha
Mulher no trânsito, Mulher que reclama!
Sexta feira, chuva, véspera de
feriado prolongado e as pessoas dirigindo como se não houvesse amanhã. Ser
mulher não é fácil e ter que dirigir torna esse universo um pouco mais
complicado. Jamais me atreveria a generalizar, eu mesma tenho amigas que, recém
habilitadas, pareciam protagonistas do filme Velozes e Furiosos, mas eu arrisco
dizer que essa não é uma habilidade nata da maioria das mulheres. Pelo menos no
meu caso, a prática me fez melhor, porém mesmo depois de alguns anos
habilitada, sempre faço coisas que eu nem se quer consigo explicar, apenas
concluo: Deus me guarda dirigindo.
Quando o assunto é trânsito,
sempre me vem à mente uma coisa: reclamação! Hoje eu posso dizer que gosto de
dirigir, e até sinto falta quando fico algum tempo sem carro, mas preciso
admitir que o trânsito me torna uma pessoa reclamona. Acordar cedo já é algo
que naturalmente incomoda, mas pegar aquele trânsito logo de manhã, ou ao final
do dia, pode ser a gênese do meu mau humor semanal, anunciado em muitas das minhas
atitudes diárias. Para escrever esse post, lancei um desafio a mim mesma: ficar
um dia inteiro sem reclamar. Resultado: não consegui nem se quer por uma hora. E
eu nem me considerava uma pessoa que murmurava tanto!
"Hoje o dia vai ser daqueles!",
"Precisava chover logo hoje?", "Que sol forte, que calor, não
estou aguentando!", "Porque tenho que trabalhar nesse frio?",
"Que trânsito!", "Não aguento mais esse trabalho",
"Tinha que ser a Dilma...", "Esse professor só sabe dar
trabalho", "Você não faz nada direito!". Não me leve a mal, mas
se você costuma fazer esse tipo de comentário, cuidado, você pode ser uma
mulher bah super chata e muito reclamona.
A murmuração vira uma rotina,
permeia nossa vida e amarga tudo que fazemos. Tentar parar de reclamar pode se
tornar um desafio maior que tentar abandonar algum vício como o tabaco e a bebida.
Até onde sabemos as consequências de uma vida vivida desgostosamente não são
tão catastróficas e aparentes como as de um vício, mas cá entre nós: as pessoas
que reclamam o tempo todo são muito desagradáveis. Elas são como âncoras que
afundam nosso bom humor e conseguem estragar um dia bom, porque parecem ter
internamente um detector de defeitos. Procuram imperfeições onde não existem e
salientam defeitos que até então eram imperceptíveis ou suportáveis. Culpam
outras pessoas por suas mazelas e são inativas em relação às circunstâncias ao
seu redor. Não sabem aproveitar o que está nas mãos e muitas vezes desejam
coisas que não estão ao seu alcance. Reclamar gera inveja, amargura, tristeza,
depressão e minam nossas forças para tentar algo novo.
Eu acredito que nós mulheres
parecemos ter recebido um dom de Deus pra trazer equilíbrio, conforto e
esperança para nossas esferas de relacionamentos. Algumas de nós acabamos
desenvolvendo o hábito de reclamar, por simples convivência. Mas sei que ao
longo da vida muitas sofreram abusos físicos e morais, muitas nunca foram
elogiadas e outras não receberam muitos abraços. Sei também que muitas foram as
infâncias abaladas por divórcios, brigas, abandono, morte e infinitas decepções
que trouxeram tantas marcas que geraram mulheres quase incapazes de se sentirem
gratas quando recebem coisas boas.
Não sei se você reclama muito ou
pouco, na verdade não importa o quanto esse hábito está refletindo nas suas
atitudes, o desafio é pra todas as leitoras e a oportunidade de mudar é diária!
Vamos começar pelo trânsito, agradeça
por ter um carro, ou por ter um trabalho para ir, mesmo que o ônibus esteja
cheio! Agradeça pelo tempo, seja chuva, sol, garoa, frio ou calor. O importante
é manter o coração limpo, livre das reclamações e feliz! Que o desafio comece!
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