Sexta feira, chuva, véspera de
feriado prolongado e as pessoas dirigindo como se não houvesse amanhã. Ser
mulher não é fácil e ter que dirigir torna esse universo um pouco mais
complicado. Jamais me atreveria a generalizar, eu mesma tenho amigas que, recém
habilitadas, pareciam protagonistas do filme Velozes e Furiosos, mas eu arrisco
dizer que essa não é uma habilidade nata da maioria das mulheres. Pelo menos no
meu caso, a prática me fez melhor, porém mesmo depois de alguns anos
habilitada, sempre faço coisas que eu nem se quer consigo explicar, apenas
concluo: Deus me guarda dirigindo.
Quando o assunto é trânsito,
sempre me vem à mente uma coisa: reclamação! Hoje eu posso dizer que gosto de
dirigir, e até sinto falta quando fico algum tempo sem carro, mas preciso
admitir que o trânsito me torna uma pessoa reclamona. Acordar cedo já é algo
que naturalmente incomoda, mas pegar aquele trânsito logo de manhã, ou ao final
do dia, pode ser a gênese do meu mau humor semanal, anunciado em muitas das minhas
atitudes diárias. Para escrever esse post, lancei um desafio a mim mesma: ficar
um dia inteiro sem reclamar. Resultado: não consegui nem se quer por uma hora. E
eu nem me considerava uma pessoa que murmurava tanto!
"Hoje o dia vai ser daqueles!",
"Precisava chover logo hoje?", "Que sol forte, que calor, não
estou aguentando!", "Porque tenho que trabalhar nesse frio?",
"Que trânsito!", "Não aguento mais esse trabalho",
"Tinha que ser a Dilma...", "Esse professor só sabe dar
trabalho", "Você não faz nada direito!". Não me leve a mal, mas
se você costuma fazer esse tipo de comentário, cuidado, você pode ser uma
mulher bah super chata e muito reclamona.
A murmuração vira uma rotina,
permeia nossa vida e amarga tudo que fazemos. Tentar parar de reclamar pode se
tornar um desafio maior que tentar abandonar algum vício como o tabaco e a bebida.
Até onde sabemos as consequências de uma vida vivida desgostosamente não são
tão catastróficas e aparentes como as de um vício, mas cá entre nós: as pessoas
que reclamam o tempo todo são muito desagradáveis. Elas são como âncoras que
afundam nosso bom humor e conseguem estragar um dia bom, porque parecem ter
internamente um detector de defeitos. Procuram imperfeições onde não existem e
salientam defeitos que até então eram imperceptíveis ou suportáveis. Culpam
outras pessoas por suas mazelas e são inativas em relação às circunstâncias ao
seu redor. Não sabem aproveitar o que está nas mãos e muitas vezes desejam
coisas que não estão ao seu alcance. Reclamar gera inveja, amargura, tristeza,
depressão e minam nossas forças para tentar algo novo.
Eu acredito que nós mulheres
parecemos ter recebido um dom de Deus pra trazer equilíbrio, conforto e
esperança para nossas esferas de relacionamentos. Algumas de nós acabamos
desenvolvendo o hábito de reclamar, por simples convivência. Mas sei que ao
longo da vida muitas sofreram abusos físicos e morais, muitas nunca foram
elogiadas e outras não receberam muitos abraços. Sei também que muitas foram as
infâncias abaladas por divórcios, brigas, abandono, morte e infinitas decepções
que trouxeram tantas marcas que geraram mulheres quase incapazes de se sentirem
gratas quando recebem coisas boas.
Não sei se você reclama muito ou
pouco, na verdade não importa o quanto esse hábito está refletindo nas suas
atitudes, o desafio é pra todas as leitoras e a oportunidade de mudar é diária!
Vamos começar pelo trânsito, agradeça
por ter um carro, ou por ter um trabalho para ir, mesmo que o ônibus esteja
cheio! Agradeça pelo tempo, seja chuva, sol, garoa, frio ou calor. O importante
é manter o coração limpo, livre das reclamações e feliz! Que o desafio comece!

Texto Maravilhoso, vamos refletir sobre o assunto!
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